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Mammy Gestante

Os sentimentos ambíguos da gestação

Tudo muda na gravidez: afloram emoções novas, o relacionamento amoroso se altera, o corpo muda completamente e a sociedade passa a olhar a mulher de outra forma. Um ponto muito interessante é o caráter ambivalente das emoções o paradoxo que acompanha praticamente todos os questionamentos e reflexões.

A ambivalência nem sempre é bem aceita pela gestante, que se sente culpada ao experimenta um misto de “desejar” e “não desejar” o bebê. Isto porque quanto mais as mulheres conquistam, mais sentem que têm a perder. Será que é o momento certo? Será que prejudicará a carreira? Será que darei conta de tudo?

Não raro esses questionamentos assustam as mulheres. Em primeiro lugar, não se trata de um desamor, já que é uma relação que está por vir. Não há ainda um vínculo entre a mãe e o bebê imaginado. Em segundo lugar, entender que se tornar mãe implica perdas é fundamental para que a mulher viva a maternidade com menos angústia. Reconhecer que ter um filho não é fácil é assumir novas responsabilidades. Mas a intensidade, os desafios e as emoções colorem a vida.

A gestação é também um momento de paradoxo. Sentir o bebê se desenvolvendo dentro do seu próprio corpo é algo indescritível. É como se atingisse o potencial biológico máximo. Mas, ao mesmo tempo, há outra sensação de fragilidade e de angústia. Fragilidade no sentido de aumenta os cuidados consigo mesma diante da responsabilidade sobre a saúde e o desenvolvimento do bebê. Angústia por certo desconhecimento de tudo que acontece dentro de si.

A mulher se sente vulnerável, já que há algo dentro de si que suga tudo que for necessário para que todo o desenvolvimento ocorra da melhor forma possível (e o mesmo se repetirá na amamentação, pois o leite sempre será perfeito para o bebê, pegando não só da alimentação materna mas do seu corpo o que faltar.

O paradoxo de força-fragilidade se repete na relação do casal. Ter um filho juntos é algo que pode fortalecer o vinculo pela cumplicidade que se forma. Mas, ao mesmo tempo, a chegada de um filho, principalmente o primogênito, pode trazer questões novas ao casal. Entra um terceiro em um relação que era exclusiva, forma-se um triangulo e, com isso, é normal que surjam angústias e medos de afastamento e rejeição. Essa questão torna-se intensificada pela relação simbiótica necessária inicialmente entre a mãe e o bebê (necessária para que ela seja capas de perceber e suprir suas necessidades fisiológicas e emocionais).

Tanto na ambivalência quanto no paradoxo, podemos dizer que “o bem vence”. Se a gestação vai ao fim e o bebê nasce como deveria ser, o “desejo” ganhou do “não desejo” – claro que esse é apenas um dos aspectos que contam para o sucesso da gravidez mas está longe de ser o único . – Na gravidez bem sucedida, a “força” vence a “fragilidade”, mais do que isso, ao passar pela fragilidade, a mulher se fortalece.

Por: Natércia TibaPsicologa clínica, psicoterapeuta de casal e familia. Autora do livro “Mulher sem script” (Integrare Editora) e colaboradora do livro “Quem ama educa”, de Içami Tiba.

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